quinta-feira, 18 de março de 2010

Pergunte ao oráculo!

Eu sempre fui de muitas perguntas. Desde a infância, quando eu perguntava ao meu avô com quantos paus se fazia uma canoa, sempre que ele me dizia o tal ditado. Pois eis que um dia desses eu sonhei com o oráculo - aquele mesmo, que não é o Malabi¹, mas tudo sabe. E no sonho eu enchi o pobre de questionamentos, dos mais complexos aos mais retardados. E como eu adoro listinhas, cá estou eu com minha lista de perguntas ao oráculo. O mais incrível não é a lista, mas como eu consegui me lembrar de tudo, ao acordar!

1. Qual a probabilidade de eu falar duas vezes com o mesmo atendente de telemarketing, em uma grande central de atendimento?

2. Por que é que eu sempre perco o bingo quando me faltam apenas dois números para fechar a cartela?

3. Quanto tempo eu levaria para cruzar todo o continente americano com minha bicicleta?

4. Por que eu sempre falo alguma sandice no mesmo instante em que o patrão entra na sala?

5. Que fim levou a Tetê Espíndola² ("meu amor, nosso amor está escrito nas estreeeelaaaas")?

6. Por que o Galvão Bueno não se aposenta?

7. Quem diabos inventou a expressão "madeira de dar em doido"?

8. Onde é que vão parar todas as minhas meias, que insistem em desaparecer?

9. Por que o telefone sempre toca quando estamos no banheiro?

10. Por que quando duas pessoas cochicham se tem a sensação de que falam mal da gente (mesmo nunca tendo visto as criaturas antes)?

11. Como funciona o jogo do bicho?

12. Qual é a perna mecânica de Roberto Carlos?

13. Por que todos os fios, cabos, conexões e afins embolam tanto quando estão na mesma bolsa?

14. Quem vai ser o campeão do Brasileirão?

15. E afinal de contas, com quantos paus se faz uma canoa?

Eu já me preparava para mais uma infinidade de questões, mas nesse ponto o sábio oráculo me interrompeu. Disse que nunca havia aparecido alguém com tantas perguntas (eu acho que ele quis falar ‘perguntas imbecis’, mas se segurou). Logo em seguida, parou por uns instantes e começou a me responder. Pensei que ele me daria respostas claras, diretas e objetivas; mas é lógico, estamos falando de um oráculo: resolveu me responder filosoficamente. Algo do tipo “a paciência é uma virtude, gafanhoto”. Quando a coisa estava começando a ficar interessante (ele estava chegando na perna mecânica do Robertão, e teria de ser objetivo), eu acordei. Lá se foram minhas chances de ser a fera das perguntas sem resposta.

Deixe estar, que ainda quebro uma canoa na beira da praia!


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1. Malabi: o cachorrinho vidente da TV Colosso. Lembra dele?

2. Tetê Espíndola: celebridade 'one hit wonder' dos anos 80. Ah, minha infância...

2 comentários:

Kelly disse...

Muito bom!
Eu me faço a maioria das perguntas. Me arrisco responder a do Galvão: com certeza ele não se aposenta porque quer acabar com a nossa paciência.
Bom, e se você pegar uma árvore bem grande, faz uma canoa com um pau só. rs

Tô esperando a historinha do Kioto. =]

João disse...

asuhausha...muito bom, Alê!!! Escreva mais!!!